segunda-feira, 9 de junho de 2014

Cuidados com a pele na gravidez

Durante a gravidez a pele pode sofrer modificações fisiológicas responsáveis pelo aparecimento de sinais e sintomas característicos do período, que normalmente desaparecem completamente nos meses ou semanas seguintes ao parto. Boa parte dessas alterações pode ser minimizada ou até evitada com algumas medidas preventivas. 

De acordo com a dermatologista Dra. Daniela Schmidt Pimentel , médica assistente e colaboradora do Serviço de Dermatologia da Faculdade de Medicina da Universidade de Santo Amaro, integrante do corpo clínico do Hospital Sírio Libanês e da Clínica Ephesus, em São Paulo, as alterações fisiológicas sofridas ocorrem em grande parte, devido a ação de diferentes hormônios sobre os receptores localizados, principalmente nos queratinócitos, fibroblastos, melanócitos e células endoteliais – que revestem o interior dos vasos sanguíneos – e são refletidas na pigmentação da pele, modificações vasculares e nos anexos cutâneos, como unhas e cabelos.

Aumento da pigmentação

As alterações pigmentares são as mais frequentes, podendo ocorrer em até 90% das mulheres nesta fase, atingindo as regiões da face, seios, axilas, região genital e face interna das coxas, principalmente nas pacientes de fototipo mais alto. A mais característica alteração pigmentar da gestante é a ‘linha nigra’, que é uma linha escura que aparece no abdome e vai do estômago à região pubiana. Ocorre também o escurecimento e alargamento dos mamilos.

Um dos maiores problemas é a grande possibilidade de formar manchas na pele do rosto, chamadas de cloasma ou melasma. A origem exata do problema ainda é desconhecida, porém envolve fatores genéticos, raciais, hormonais e ambientais. Tem como um dos fatores desencadeantes mais importantes a exposição da pele ao sol. Este tipo de mancha é mais comum em mulheres de ascendência hispânica e asiática, mas pode afetar qualquer gestante. Ela caracteriza-se por formar um depósito aumentado do pigmento melanina em toda a extensão da epiderme, a camada mais superficial da pele, ou na derme. Algumas manchas escuras no rosto desaparecerão após o parto, outras necessitarão de tratamentos específicos”, explica a dermatologista.

Outros tipos de manchas, como as sardas e os nevos melanocíticos (pintas ou sinais) também sofrem influência na gestação podendo escurecer e aumentar de tamanho. A Dra. Daniela Schmidt Pimentel enfatiza a importância de se observar alterações nas pintas escuras como: aumento de tamanho, alteração de cor, coceira, sangramento, crescimento irregular, aparecimento de lesões novas, sendo importante a avaliação do dermatologista. “É durante esta análise clínica que será distinguido, com segurança, o risco destas lesões representarem um câncer de pele.  Existe um exame denominado dermatoscopia, onde um aparelho semelhante a um microscópio pequeno é colocado sobre a lesão ampliando sua visão e possibilitando a detecção precoce de sinais malignos em algumas lesões. É recomendado para pacientes com antecedentes de Câncer de pele, monitoramento das pintas durante e depois da gestação”.

Outras modificações 

Na gestação, as mudanças se devem principalmente ao aumento dos níveis de estrógenos. A pele do abdome e dos seios pode se tornar tensa e frágil com o aumento do volume. Existe maior conteúdo hídrico na derme e hipoderme, o que pode ocasionar edema, principalmente nas extremidades a partir do segundo e terceiro trimestre. A pele da face, mais hidratada e irrigada, torna-se viçosa e de coloração rosada dando um aspecto jovial à gestante. Porém, em algumas peles com tendência a oleosidade pode surgir cravos e espinhas.

Em relação à queda do cabelo, que tem início entre o segundo e o sexto mês pós-parto e seu tempo de duração é de aproximadamente três meses, podendo chegar a um ano. Esse processo ocorre, provavelmente pelo desequilíbrio dos níveis de estrogênio que, nesta fase estão retornando ao nível anterior. Porém, alguns casos que já possuem antecedentes familiares com Alopecia  Androgenética, precisarão de tratamentos mais específico. Já as unhas crescem mais rapidamente durante a gestação e algumas mulheres podem apresentar aumento da fragilidade, ceratose ungueal (espessamento da lâmina ungueal), estrias transversais, manchas brancas, escurecimento ou descolamento da unha, geralmente transitórios e que regridem após o parto.

Já as estrias gravídicas ocorrem em 90% das gestantes e surgem no terceiro trimestre, geralmente no abdome, mamas, coxas e glúteos. “Durante a gestação é possível realizar a microdermoabrasão, que é um peeling físico, que não tem contraindicação em gestantes”, esclarece a dermatologista.

Tratamentos permitidos

Para a dermatologista Daniela Schmidt Pimentel é fundamental, durante a gestação, evitar expor-se ao sol sem protetor solar. “O filtro solar deve ter alto fator de proteção UVA e UVB, para evitar que as manchas apareçam ou escureçam ainda mais. O ideal é a associação de filtros solares químicos e físicos para se obter melhores resultados”.

Como o melasma deve obedecer os princípios gerais da terapêutica na gestação, o bom senso deve imperar quando o assunto é combate-lo. “Trata-se de uma condição crônica e, como tal, necessita de tratamento continuo. Por isso, durante a gestação, seu tratamento é limitado e devem ser tomadas todas as medidas necessárias para que não ocorra uma piora das manchas. De um modo geral, dois fundamentos do tratamento são: a proteção contra a radiação ultravioleta e o uso de agentes clareadores. A paciente deve receber do dermatologista todas as orientações possíveis referentes a cronicidade do melasma e a grande frequência de recidivas relacionadas à exposição solar. Na gestação, deve-se dar ênfase à sua prevenção, fazendo uma boa anamnese para conhecer os antecedentes pessoais e familiares que justifiquem a atenção e os cuidados ainda maiores, além de ser imprescindível estimular as visitas periódicas ao dermatologista”.

Entre outros cuidados que a gestante deve ter com a face encontra-se o Peeling de Cristal ou de Diamante. “Este procedimento é indicado nessa fase, pois faz a remoção de células mortas e estimula o colágeno, além de deixar a pele mais receptiva para a ação dos cremes com ativos hidratantes e clareadores suaves”.

No corpo, para evitar as temidas estrias, o cuidado principal é a hidratação intensa da pele, que se inicia com a ingestão adequada de líquidos. No banho, é indicado o uso de um sabonete glicerinado e após, a aplicação de hidratantes em creme. O hidratante corporal deve ser aplicado duas vezes ao dia, principalmente nas regiões do abdome, lombar, nádegas, quadris, coxas e seios, sem passar na região dos mamilos. 

A drenagem linfática é uma massagem suave que ajuda a reduzir a retenção de líquido e diminuir os inchaços e pesos nas pernas comuns da gravidez. Além de prevenir e tratar as complicações decorrentes da gestação, auxilia no alívio de problemas circulatórios e musculares, assim como de outros problemas relacionados às alterações hormonais, como enxaqueca, insônia, constipação e fadiga. “O principal benefício deste procedimento é proporcionar relaxamento à gestante”, finaliza a Dra. Daniela Schmidt Pimentel.

Dra. Daniela Schmidt Pimentel (CRM-SP 112.165) - Graduada em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de Santo Amaro com Residência Médica em Clínica Médica pela Universidade de Santo Amaro e Residência Médica em Dermatologia pela Universidade de Santo Amaro - Serviço Dr. Luís Carlos Cucé, possui Título de Especialista em Dermatologia pela Sociedade Brasileira de Dermatologia. É membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), médica assistente e colaboradora do Serviço de Dermatologia da Faculdade de Medicina da Universidade de Santo Amaro. A especialista também integra o corpo clínico do Hospital Sírio Libanês e da Clínica Ephesus, em São Paulo. www.clinicaephesus.com.br

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